deveria saber
que tenho pavio curto
que saio andando
pra não voltar mais
que choro de raiva
que grito e que falo palavrão.
deveria saber
da minha indignação
com as injustiças
e da minha bandeira pela boa educação.
deveria saber
dos momentos em que
não quero falar com ninguém
e de outros em que eu canto uma canção.
deveria saber
e deveria dizer tanta coisa
não abusar da docilidade
nem ignorar o afeto.
mas enquanto o dever ia,
o prazer vinha de volta.
e tudo que o dever ia fazer
aconteceu naturalmente.
Claudia Garrocini
Ah
seu silencio faz tão mal
não nos deixa evoluir
impede que o fluxo
das informações
e dos desejos
sejam trocados
tocados
sentidos em cinco sentidos
numa ebulição de questões
e respostas...
nos meus sonhos
pude sentir seu beijo
tão intenso
que tive vontade de dormir para sempre...
Claudia Garrocini
translação
a interface
é a membrana que precisamos romper
mutação
não quero viver num infoambiente
transição
meu espaço
seu circuito
quero dividir com você
minha caixa de morangos...
Claudia Garrocini
Carrego seu coração comigo.
Eu o carrego no meu coração.
Nunca estou sem ele
Onde quer que vá,
você vai comigo.
E o que quer que faça
Eu faço por você.
Não temo meu destino.
Você é meu destino, minha doçura.
Eu não quero o mundo por mais belo que seja.
Você é meu mundo, minha verdade.
Eis o grande segredo que ninguém sabe.
Aqui está a raiz da raiz.
O botão do botão.
E o céu do céu.
De uma árvore chamada vida.
Que cresce mais que a alma pode esperar.
Ou a mente pode esconder.
E esse é o prodígio,
Que mantém as estrelas á distancia.
Eu carrego seu coração comigo.
(Poema de E.E Cummings)
o tempo se arrasta
parece que tudo passa devagar
por entre meus dedos trêmulos
a sensação de que algo está faltando
que alguma coisa
vai acontecer
a qualquer hora, em qualquer lugar
como se pudesse pressentir
mas não conseguisse entender
cada sonho se transforma
em viagem cósmica
por caminhos que tenho certeza de que verei
esses olhos que não me vêem.
essa voz que ecoa no meu ouvido...
tudo tão estranho
tão próximo de mim
por vezes me sinto sufocar
outras sou invadida por uma sensação
intensamente extasiante
fico com esse sorriso colado no rosto
feito maquiagem do coringa.
as flores do jardim
como cúmplices do meu desvario
o olhar perdido
procura respostas para o coração
taquicardia estranha sensação
de uma flecha cravada
quanto tempo demora até o beijo?
quanto abraço se sonha?
quanto vale o desejo?
Claudia Garrocini
Até ir para o Recife, pouco sabia de Abelardo da Hora.
Que maravilhoso conhecer o artista, em sua casa.
Um Museu-Ateliê... repleto de mulheres de corpos perfeitos,
estendidas lânguidas
de todos os tamanhos e por toda a casa.
Uma sensação ímpar.
Estive na casa do Avô de Manuel Bandeira.
Uma emoção peculira tomou conta de mim,
ao sentir toda a poesia, que segundo o autor,
tem origem na rua da União.