Eclipsis Litteris
 

 
 
Poéticas 
e 
Visuais
 
 
   
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Quarta-feira, Junho 30

 


A vida

humana

- na verdade

toda a vida - 

É poesia.

Nós a

vivemos

inconscientemente,

dia a dia,

fragmento a

fragmento

mas na sua

totalidade

inviolável

Ela é que

nos vive!

Lou Andrea Salomé

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QUERO ESCREVER O BORRÃO VERMELHO DE SANGUE 

Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.
 
Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.
 
Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.

Clarice Lispector

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VENTUROSA DE SONHAR-TE

 Venturosa de sonhar-te,

à minha sombra me deito.

(Teu rosto, por toda parte,

mas, amor, só no meu peito!)

-Barqueiro, que céu tão leve!

Barqueiro, que mar parado!

Barqueiro, que enigma breve,

o sonho de ter amado!

Em barca de nuvem sigo:

e o que vou pagando ao vento

para lever-te comigo

é suspiro e pensamento.

-Barqueiro, que doce instante!

Barqueiro, que instante imenso,

não do amado nem do amante:

mas de amar o amor que penso!

Cecília Meireles

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A Lua (dizem os ingleses),
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma idéia se perde. 

E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De... não sei se é desejar. 

Sim, todos os meus desejos
São de estar sentir pensando...
A Lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando. 


Fernando Pessoa
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ver o bicho alfabeto
tem vinte e três patas
ou quase

por onde ele passa
nascem palavras
e frases

com frases
se fazem asas
palavras
o vento leve

o bicho alfabeto
passa
fica o que não se escreve

Paulo Leminsk
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Quinta-feira, Junho 24

 


Que lindo! Hoje é meu 
aniversário! Por isso resolvi
postar muitas poesias...
Em vez de coments mandem presents! hahahaha




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ACEITARÁS O AMOR COMO EU O ENCARO?
Mário de Andrade

Aceitarás o amor como eu o encaro ?...
...Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.

Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.


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CANÇÃO
William Blake

De campo em campo errava eu docemente,
Provando todo o orgulho do verão,
Até que, a deslizar na luz do sol,
Do Príncipe do Amor tive a visão!

Mostrou-me lírios para meus cabelos,
Rosas coradas para minha testa;
Guiou-me pelos seus jardins formosos
Onde cultiva uma dourada festa.

Molha-me as asas o rocio de maio,
Febo me insufla o estro vocal que evola;
Com sua rede de seda ele me apanha,
E no outro prende-me de sua gaiola.

Agrada-lhe sentar-se e ouvir meu canto,
Depois brinca comigo, e zomba, e ri;
Depois, abrindo as asas minhas de outro,
Mofa da liberdade que perdi.



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SE
Haroldo de Campos

se

nasce

morre nasce

morre nasce morre

renasce remorre renasce

remorre renasce

remorre

re 

re

desnasce

desmorre desnasce 

desmorre desnasce desmorre

nascemorrenasce

morrenasce

morre

se



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Quarta-feira, Junho 23

 


OS VERSOS QUE TE FIZ
Florbela Espanca

Deixa dizer-te os lindos versos raros 
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!


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SÓ
Edgar Allan Poe

Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alterava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.


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VENTRAVA ESTRELAS
Décio Pignatari

ventrava estrelas
e azul teu cheiro
e cheiros
beiravam pregas
de luz de pele
e enchiam o 
cosmos um corpo
que se beijava
por inteiros

Poeminha poemeto

Poemeu poesseu poessua da flor
a brisa
a luz
o calor
tateiam
bolinam a flor
quase vexada
e ela, voláteis, 
perfumadas de cor de rosa
aos poucos
vai abrindo as pérnalas em vãos
num copo à janela


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CAMPO DE FLORES
Carlos Drummond de Andrade

Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus - ou foi talvez o Diabo - deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.

Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.

Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.

Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer um vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.

E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo rriais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.

Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visáo extasiada.

Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.


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Sábado, Junho 19

 


NÃO SEI
Cora Coralina

Não sei... se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,
verdadeira, pura...
Enquanto durar"
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SAUDADE
Pablo Neruda

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já ...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca, 
é não ver o futuro que nos convida ...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais ...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é  a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam ...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por
quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. 
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido ...

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A VIDA
Mario Quintana

A vida são deveres 
que nós trouxemos pra fazer em casa.
Quando se vê já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!
Agora, é tarde demais
para ser reprovado...
Se me fosse dada, um dia,
outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente
e iria jogando, pelo caminho,
a casca dourada
inútil das horas...

Dessa forma eu digo, não deixe
de fazer algo que gosta devido
a falta de tempo, a única falta
que terá, será desse tempo que
infelizmente não voltará mais.
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AMOR ANTIGO
Carlos Drummond de Andrade

O amor antigo vive de si mesmo 
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas, 
feitas de sofrimento e de beleza. 
Por aquelas mergulha no infinito, 
e por estas suplanta a natureza. 

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante. 

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor ...
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EROS E PSIQUE
Fernando Pessoa

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada. 
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem. 
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera. 
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém. 
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada. 
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora, 
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

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Quinta-feira, Junho 17

 


1947 Berna - Suiça "Não pense que a pessoa tem tanta força 
assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a 
mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se 
sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...
há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é 
em relação a si mesmo. 
Quase quatro anos me transformaram muito. 
Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade 
e todo interesse pelas coisas. 
Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. 
Assim fiquei eu...Para me adaptar ao que era inadaptável, 
para vencer minhas repulsas e meus sonhos, 
tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma 
que poderia fazer mal aos outros e a mim. 
E com isso cortei também a minha força. 
Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - 
respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - 
não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - 
é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, 
se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou 
por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. 
Se é que uma vida morna não é ser punida 
por essa mesma mornidão. 
Pegue para você o que lhe pertence, 
e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. 
Parece uma vida amoral. 
Mas o que é verdadeiramente imoral 
é ter desistido de si mesma. 
Gostaria mesmo que você me visse e assistisse 
minha vida sem eu saber. 
Ver o que pode suceder quando se pactua 
com a comodidade da alma".

"Mesmo para os descrentes há a pergunta duvidosa: 
e depois da morte? 
Mesmo para os descrentes há o instante 
de desespero: que Deus me ajude... 
Venha, Deus, venha. 
Mesmo que eu não mereça, venha. 
Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. 
Embora amor dentro de mim eu tenha. 
Só que eu não sei usar amor: às vezes parecem farpas. 
Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo 
inquieta e infeliz, é porque preciso que Deus venha. 
Venha antes que seja tarde demais." 
 Clarice Lispector

Obrigada André... o texto é lindo!
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Galera,
tá difícil escrever nesses dias
prometo que vou tentar me 
dedicar mais.
Nesse feriado fui para 
São Tomé das Letras...
Fiquem de olho nas belas 
fotos que vou postar nessa semana...
Vai uma provinha da web:



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OLHOS DE MUSGO
  Mauro Salles

Por trás de lentes  
amarelas  
olhos de musgo  
fazem perguntas  
iluminam o sorriso  
a boca de promessas  
as frases presumidas  
e suas cargas  
de adiamentos  
dúvidas  
mistérios
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Último bilhete
 
A página pede teu nome
Meu tudo costurado nas margens desertas
A casca inútil das palavras deflora
Para não perder o vício na desordem do dia
 
Agora não sou só
Dissolvo-me na paisagem inalienável
No calcário descoberto no asfalto
E o vagão toma o trilho em tua direção
 
Mais de uma vez incomunicável
Em leda, tal nas asas das rosas
Em cada passo, perfume, sabor
 
E que nunca lhe falte
Tantos tons nos olhos
Para que não me falte
Tanta alegria nas mãos

Claudemir Ferreira
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SEU SOM

Não vá antes de me mostrar a lua
Nem me deixe sem saber de você
Do que você gosta e faz
Do que quer boscar enfim,
Quem sabe cê não busca por mim?

Que danço calada entre as madrugadas frias
Esperando você chegar
Quero você perto de mim
Bem perto onde eu possa sentir
Sua respiração, seu beijo, seu cheiro, seu som.

Não vá ainda você sabe que eu sou sua
Mas é você quem tem que saber
Da falta que você faz,
Talvez se você decidir
Quem sabe não decide por mim?

Que sofro calada entre as noites vazias
Com medo de vir me falar 
Que precisa de mim
Que você quer sentir
Minha respiração, meu beijo, meu cheiro, meu som.

Claudia Garrocini
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Quarta-feira, Junho 9

 

Bom ter esse feriado para ficar
de longe contemplando...
Por isso vou dar um
reprise básico
na poesia que o Denny animou.
  Lua
Parla!:
 



Soneto da Fidelidade
Vinicius de Moraes 

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zêlo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento. 

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e darramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contetentamento. 

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama 

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, pôsto que e chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Parla!:

Sábado, Junho 5

 


O mar
tem me convidado 
a sair em busca
do pensamento perdido.
Provocando um reencontro,
feito maré no rochedo,
ondas que tomam forma
e mudam nosso destino,
vento que leva e não
torna mais.
O mar vai me levar
para o sempre,
um destino que
me chama como
uma filha,
dessas pródigas.
Pelo mar vou tornar de
onde vim
há muitos anos atrás,
quando nem tinha esse nome,
tampouco amava você.
Vou pelo mar,
buscar meu caminho
à vela
à remo
à nado...
vou para o outro lado do oceano,
para encontrar comigo,
depois voltar para você.
Parla!:

Sexta-feira, Junho 4

 


Teu desenho
se tornou político
Teu traço
teu braço...

Meu sonho 
te encontrar.

Meu texto
tornou-se dissertação
meu riso
meu vício...

Vamos enfim
mapear nosso destino.

Desenha um lugar
onde possamos
nos encontrar
e falar
as palavras que
temos guardado.

Um cyber espaço.

(Claudia Garrocini)

 

 
   
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