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Parla!:
Segunda-feira, Julho 26
SE TUDO PODE ACONTECER
Arnaldo Antunes
Se tudo pode acontecer
se pode acontecer qualquer coisa
um deserto florescer
uma nuvem cheia não chover
pode alguém aparecer
e acontecer de ser você
um cometa vir ao chão
um relâmpago na escuridão
e a gente caminhando de
mão dada de qualquer maneira
eu quero que esse momento
dure a vida inteira
e além da vida ainda
de manhã no outro dia
se for eu e você
se assim acontecer
se tudo pode acontecer...
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Sábado, Julho 24
MAÇÃ
Manuel Bandeira
Por um lado te vejo como um seio murcho
Por outro como um ventre
Cujo umbigo pende ainda o cordão placentário
És vermelha como o amor divino
Dentro de ti
em pequenas pevides
palpita a vida prodigiosa
Infinitamente...
E quedas tão simples
Ao lado de um talher
Num quarto pobre de hotel
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Sexta-feira, Julho 23
VIDA
Clarice Lispector
"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém, que o
que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.
Sonhe com aquilo que você quiser. Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela
só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce, dificuldades para
fazê-la forte, tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para
fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas, elas sabem fazer
o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A
felicidade aparece para aqueles que choram, para aqueles que se machucam,
para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a
importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida quando perdoar seus erros e as suas decepções
do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar, duram uma
eternidade. A vida não é de se brincar, porque em pleno dia se morre."
Texto lindo André...
Obrigada!
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Quinta-feira, Julho 22
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Tenho sentido
que se de
alguma maneira
estou viva
é justamente
por acreditar
nos olhos da alma.
Por ter aprendido
depois de
todos esses anos
esperar...
deixar que
as coisas
se encaixassem...
Tenho sentido
que estou
perto demais
da realização
dos meus sonhos
e o tempo
tem sido generoso
em me deixar
bastante tempo
para passear
de mãos dadas
com você
do outro lado
do planeta...
Kcau
Parla!:
O menino cresceu...
não me vê mais com
olhos de poesia...
Não tem tempo
para me ligar
de madrugada...
Não me escreve
um bilhete sequer...
O menino cresceu,
deixoude acreditar
na magia...
Claudia Garrocini
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Domingo, Julho 18
Parla!:
Como anda seu inglês?
E sua memória?
WISH YOU ARE HERE
Pink Floyd
So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skys from pain.
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears.
Wish you were here.
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SOCORRO
Arnaldo Antunes
Socorro, nao estou sentindo
nada
Nem medo, nem calor, nem fogo,
Nao vai dar mais pra chorar
Nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo
que penada,
Me empreste suas penas
Ja nao sinto amor nem dor,
Ja nao sinto nada
Socorro, alguem me de um
coracao,
Que esse ja nao bate nem apanha
Por favor, uma emocao pequena,
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta,
Tem tantos sentimentos, deve ter
algum que sirva
Socorro, alguma rua que me
de sentido,
Em qualquer cruzamento,
Acostamento,
Encruzilhada,
Socorro, eu ja nao sinto nada
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ATENÇÃO
Arnaldo Antunes
Atenção
Essa vida contém cenas explícitas de tédio
Nos intervalos da emoção
Atenção
Quem não gostar que conte outra,
encontre, corra atrás,
enfrente, tente, invente
sua própria versão
Aqui não tem
segunda sessão
Aqui não tem
segunda sessão
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HORIZONTE
Fernando Pessoa
O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longínqua costa-
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade
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Parla!:
Foto de Custódio Coimbra.
A Lara que mandou!
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Sexta-feira, Julho 16
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TEU PERFIL, TEU OLHAR REAL OU FEITO
Fernando Pessoa
Teu perfil, teu olhar real ou feito
Lembra-me aquela eterna ocasião
Em que eu amei Semíramis eleito
Daquela plácida visão.
Amei-a, é claro, sem que o tempo e espaço
Tivesse nada com o meu amor.
Por isso guardo desse amor escasso
O meu amor maior.
Mas, ao olhar-te, lembro, e reverbera
Quem fui eu, quem eu sou.
Quando eu amei Semíramis, já era
Tarde no Fado, e o amor passou.
Quanta perdida voz cantou também
Nos séculos perdidos que hoje são
Uma memória irreal do coração!
Quanta voz viva, hoje de ninguém!
Parla!:
VENTRAVA ESTRELAS
Décio Pignatari
ventrava estrelas
e azul teu cheiro
e cheiros
beiravam pregas
de luz de pele
e enchiam o
cosmos um corpo
que se beijava
por inteiros
Poeminha poemeto
Poemeu poesseu poessua da flor
a brisa
a luz
o calor
tateiam
bolinam a flor
quase vexada
e ela, voláteis,
perfumadas de cor de rosa
aos poucos
vai abrindo as pérnalas em vãos
num copo à janela
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BUDISMO MODERNO
Augusto dos Anjos
Tome, Dr., esta tesoura, e. corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!
Ah! Um urubu pousou em minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte!
Dissolva-se, portanto, minha vida,
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;
Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!
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Segunda-feira, Julho 12
Parla!:
Parla!:
Perdoe o espanhol,
mas meu querido Neruda merece!
Poema
Pablo Neruda
Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.
Parla!:
SONETO DE AMOR
Pablo Neruda
Desnuda eres simple
como una de tus manos,
lisa, terrestre, minima,
redonda, transparente,
tienes lineas de luna,
caminos de manzana,
desnuda eres
delgada como el
trigo desnudo.
Desnuda eres azul como
la noche en Cuba,
tienes enredaderas y
estrellas en el pelo,
desnuda eres
enorme y amarilla
como el verano en
una iglesia de oro.
Desnuda eres pequena
como una de tus unas,
curva, sutil, rosada
hasta que nace el dia
y te metes en el
subterraneo del mundo.
como en un largo tunel
de trajes y trabajos:
tu claridad se apaga,
se viste, se deshoja
y otra vez
vuelve a ser
una mano
desnuda.
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Domingo, Julho 4
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Ao menos uma vez em tôda a vida
Raul Leoni
Ao menos uma vez em tôda a vida
A Verdade passou pela alma de cada homem...
Passou muito alto, muito vaga, muito longe,
Como os fantasmas, que mal chegam, somem,
Passou em sombra, num vôo refletida
No espêlho da água trêmula de um rio...
Sombra de um vôo na água trêmula: Verdade !
Passou uma só vez em tôda a vida
E sempre dessa vez a alma dos homens
Estava distraída,
E não reconheceu na sombra dêsse vôo
A ave ideal que planava no alto azul...
Quando volveu os olhos para a altura
Ela já ia desaparecendo...
Dela nada ficou no olhar triste dos homens,
Nem a lembrança de seu vulto incerto...
Passou uma só vez em tôda a vida !
Sombra de um vôo na água trêmula: Verdade !
E essê vôo,
Que nunca mais voltou no mesmo céu deserto,
Nem ao menos deixou a sombra dentro d`água...
Parla!:
Eu faço versos...
Mario Quintana
Eu faço versos como os saltimbancos
Desconjuntam os ossos doloridos.
A entrada é livre para os conhecidos...
Sentai, Amadas, nos primeiros bancos!
Vão começar as convulsões e arrancos
Sobre os velhos tapetes estendidos...
Olhai o coração que entre gemidos
Giro na ponta dos meus dedos brancos!
"Meu Deus! Mas tu não mudas o programa?"
Protesta a clara voz das Bem-Amadas.
"Que tédio!" o coro dos Amigos clama.
"Mas que vos dar de novo e de imprevisto?"
Digo... e retorço as pobres mãos cansadas:
"Eu sei chorar... Eu sei sofrer... Só isto!"
Parla!:
A Cidade no Mar
Edgar Allan Poe
Olhai! a Morte edificou seu trono
numa estranha cidade solitária
por entre as sombras do longínquo oeste.
Lá, os bons, os maus, os piores e os melhores,
foram todos buscar repouso eterno.
Seus monumentos, catedrais e torres
(torres que o tempo rói e não vacilam!)
em nada se parecem com os humanos.
E em volta, pelos ventos olvidadas,
olhando o firmamento, silenciosas
e calmas, dormem águas melancólicas.
Ah! luz nenhuma cai do céu sagrado
sobre a cidade, em sua imensa noite.
Mas um clarão que vem do oecano lívido
invade dos torreões, silentemente,
e sobe, iluminando capitéis,
pórticos régios, cúpulas e cimos,
templos e babilônicas muralhas;
sobe aos arcos templos magníficos, sem conta,
onde os frios se enroscam e entretecem
de vinhedos, violetas, sempre-vivas.
Olhando o firmamento, silenciosas,
calmas, dormem as águias melancólicas.
Torreões e sombras tanto se confundem
que é tudo como solto nos espaços.
E a Morte, do alto de soberba torre,
contempla, gigantesca, o panorama.
Lá, os sepulcros e os templos se escancaram
mesmo ao nível das águas luminosas;
mas não pode a riqueza portenhosa
dos ídolos com olhos de diamente,
nem das jóias que riem sobre os mortos,
tirar as vagas de seu leito imóvel;
pois, ai! nem leve movimento ondula
esse imenso deserto cristalino!
Nem ondas falam de possíveis ventos
sobre mares distantes, mais felizes;
ondas nào contam que existiram ventos
em mar de menos espantosa calma.
Mas, vede! Um frêmito percorre os ares.
Uma onda... Fez-se ali um movimento!
e dir-se-ia que as torres vacilaram
e afundaram de leve na água turva,
abrindo com seus cumes, debilmente,
um vazio nos céus enevoados.
As ondas têm, agora, luz mais rubra,
as horas fluem, lânguidas e fracas.
E quando, entre gemidos sobre-humanos,
a cidade submersa for fixar-se no fundo,
o Inferno, erguido de mil tronos,
curvar-se-á, reverente.
Parla!:
Sexta-feira, Julho 2
Parla!:
Parla!:
Contaminada pela propaganda do filme
preciso ver...
as músicas me remetem
ao inconsciente coletivo dos anos 80...
Um poeta.
 
Parla!:
FAZ PARTE DO MEU SHOW
Cazuza
Te pego na escola e encho a tua bola com todo o meu amor
Te levo pra festa e testo o teu sexo com ar de professor
Faço promessas malucas tão curtas quanto um sonho bom
Se eu te escondo a verdade, baby, é pra te proteger da solidão
Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor
Confundo as tuas coxas com as de outras moças
Te mostro toda a dor
Te faço um filho
Te dou outra vida pra te mostrar quem sou
Vago na lua deserta das pedras do Arpuador
Digo 'alô' ao inimigo
Encontro um abrigo no peito do meu traidor
Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor
Invento desculpas, provoco uma briga, digo que não estou
Vivo num 'clip' sem nexo
Terror, retrocesso
meio bossa nova e 'rock'n roll'
Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor
Meu amor, meu amor, meu amor...
Parla!:
O TEMPO NÃO PÁRA
Cazuza
Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou o cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara
Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára
Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha no palheiro
Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára
Parla!:
IDEOLOGIA
Cazuza
Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver
O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem sou eu
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Parla!:
Quinta-feira, Julho 1
fazemos escolhas
deixamos
de lado
o que não foi escolhido
e mesmo
que certos
da escolha que fizemos
deixamos de pensar
no que ficou no ar
Claudia Garrocini
Parla!:
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Parla!:
Parla!:
Parla!:
O tempo
vai mudar
nosso caminho
Meu sorriso
se ilumina
ao teu olhar
Teu sorriso
inebria
minha alma
Voa para mim
e me beija
feito flor
Claudia Garrocini
   
Parla!:
Quando
seus
lábios
tocarem
as
curvas
mais
convexas
do
meu
corpo
estarei
de
novo
fazendo
amor
com
os
deuses...
Claudia Garrocini
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