Eclipsis Litteris
 

 
 
Poéticas 
e 
Visuais
 
 
   
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Quinta-feira, Setembro 30

 
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Hoje tenho a sensação
de que a libido está em alta
o friozinho ajuda...
por isso as poesias
têm essa cara...

CONCAVIDADE
Claudia Garrocini

QUANDO
SEUS
LÁBIOS
TOCAREM
AS
CURVAS
MAIS
CONVEXAS
DO 
MEU
CORPO
ESTAREI
DE 
NOVO
FAZENDO
AMOR
COM 
OS 
DEUSES...
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NUA
Isabel Machado 

Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba...
E quando nua
por incrível que pareça
sou mais pura...
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios...
liberto os mistérios
sem perder o encanto
do prazer...
Porque
quando nua
sou única
e exclusivamente
tua...
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EROS É A ÁGUA
Gioconda Belli 
Tradução de José Agostinho Baptista 

Entre as tuas pernas
o mar revela-me estranhos recifes
rochas erguidas corais altaneiros
contra a minha gruta de búzios concha nácar
o teu molusco de sal persegue a corrente
a pequena água inventa-me barbatanas
mar da noite com luas submersas
tua ondulação brusca de polvo congestionado
acelera nas minhas guelras um latejar de esponja
e os cavalos minúsculos flutuam entre gemidos
enredados em longos pistilos de medusa.
Amor entre golfinhos
aos altos lança-te sobre o meu flanco leve
recebo-te sem ruído olho-te entre bolhas
cerco o teu riso com a minha boca espuma
ligeireza da água oxigênio de tua vegetação de clorofila 
a coroa de lua abre espaço ao oceano.
Dos olhos prateados
flui longo olhar final
e erguemo-nos do corpo aquático
somos carne outra vez
uma mulher e um homem
entre as rochas.
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FECUNDAÇÃO
Gilka Machado 

Teus olhos me olham
longamente,
imperiosamente...
de dentro deles teu amor me espia.

Teus olhos me olham numa tortura
de alma que quer ser corpo,
de criação que anseia ser criatura

Tua mão contém a minha
de momento a momento:
é uma ave aflita
meu pensamento
na tua mão.

Nada me dizes,
porém entra-me a carne a persuasão
de que teus dedos criam raízes
na minha mão.

Teu olhar abre os braços,
de longe,
à forma inquieta de meu ser;
abre os braços e enlaça-me toda a alma.

Tem teu mórbido olhar
penetrações supremas
e sinto, por senti-lo, tal prazer,
há nos meus poros tal palpitação,
que me vem a ilusão
de que se vai abrir
todo meu corpo
em poemas.
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DESTINO
Eugénia Tabosa 

No passeio junto à praia, 
do outro lado da estrada 
duas mulheres de negro 
caminham apressadas, 
o vento fá-las dobrar 
as saias parecem asas 
debatendo-se no ar. 

Do outro lado da estrada 
no passeio junto ao mar 
duas mulheres gemendo 
parecem quase voar, 
na cabeça lenços pretos 
encobrem-lhes o olhar, 
as mãos apertam o peito 
pra o coração não estalar. 

O vento uiva mais alto 
trazendo gritos da praia 
um espanto para lá do mar, 
elas correm, como correm 
nem a água as faz parar 
procuram cegas os barcos 
e nada há que encontrar. 

Só então abrem os braços 
erguendo o punho ao ar 
gritam de revolta e dor, 
soltam seu ódio, seu mal, 
chamam, choram de amor, 
e as lágrimas abrem sulcos 
naqueles rostos desfeitos. 

Desceu um silêncio à praia 
era a morte a passear 
por entre gaivotas feridas 
todas de negro vestidas 
olhos presos no mar. 
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Quarta-feira, Setembro 29

 
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É engraçado como 
fazemos parte da história.
Colecionamos sentimentos
reconhecemos personagens
estamos atentos
aos desejos secretos
da nossa geração.
Vez ou outra sinto
como a evolução tecnológica
ameaça nosso mais
profundo sonho juvenil.
Nossos ídolos 
envelhecem 
a olhos vistos.
E não deixam de ser pessoas especiais.
Como nós, que acreditamos...

Para essa geração, 
uma beijoca bem gostosa
e um pouco do nosso
rock nacional!

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EU QUERO SEMPRE MAIS
(IRA!/Edgar Scandurra)
A minha vida, eu preciso mudar todo o dia
Pra escapar da rotina dos meus desejos por seus beijos.
Dos meus sonhos eu procuro acordar e perseguir meus sonhos.
Mas a realidade que vem depois não é bem aquela que planejei
Eu quero sempre mais
Eu quero sempre mais
Eu quero sempre mais de ti
Por isso hoje estou tão triste
Porque querer está tão longe de poder
E quem eu quero está tão longe, longe de mim
Longe de mim
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CARAS COME EU
(Titãs)

Caras como eu
Estao ficando raros
Como cabelos ralos
Que se batem e caem 
pelo chão
Caras como eu
Estao tirando o pé
Andando em marcha-ré
Com medo de entrar na
contramão
Como trens do interior
Que nao chegam no
horário
Como velhos elefantes
Que morrem solitários
Caras como eu
Estao ficando chatos
Como solas de sapatos
Que se gastam
Com o passar do tempo

Nao vou mais medir o tempo
Nao vou mais contar as horas
Vou me entregar no momento
Nao vou mais tentar matar
o tempo

Como palavras de amor
Que nao se guardam em
disquetes
Como segredos sem valor
Que a gente nunca esquece
Caras como eu
Estao ficando velhos
Calcando os seus chinelos
Concluindo que não há
mais tempo
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A PALAVRA CERTA
(Paralamas do Sucesso)

Atravesso a noite com um verso
Que não se resolve
Na outra mão as flores como se
Flores bastassem
Eu espero...
E espero...

Não funcionam luzes, telefones
Nada se resolve
Trens parados, carros enguiçados
Aviões no pátio esperam
E esperam
A chave que abre o céu
Daonde caem as palavras
A palavra certa
Que faça o mundo andar

Não funcionam luzes, telefones
Nada se resolve
Trens parados, carros enguiçados
Aviões no pátio esperam
E esperam
A chave que abre o céu
Daonde caem as palavras
A palavra certa
Que faça tudo andar

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O André tá voltando...
e para dizer isso mandou esse primor!
Que saudade!

O SEGREDO ESTÁ NO TEMPO 
Mário Quintana
 
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz 
com uma outra pessoa
você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquela pessoa que você ama 
(ou acha que ama) e que não quer nada com você, 
definitivamente, não é o homem/mulher da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, 
principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas...
É cuidar do jardim para que elas venham até você. 
No final das contas, você vai achar, 
não quem você estava procurando, 
mas quem estava procurando por você...
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Quarta-feira, Setembro 22

 
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Olha que coisinha linda a Lara mandou!
Beijocas amiga!
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PRIMAVERA
Cassiano

Quando o inverno chegar
Eu quero estar junto a ti
Pode o outono voltar
Que eu quero estar junto a ti
Eu, é primavera, te amo
É primavera, te amo meu amor
Trago esta rosa para te dar
Trago esta rosa para te dar
Meu amor 
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É Primavera!


MITO DE DEMÉTER E CORE 
A TERRA MÃE E A FILHA GRÃO
Por Stela Brito - stelabrito@bol.com.br

Conta a Mitologia que quando Plutão 
raptou Core, a filha muito amada de 
Deméter, a terra sofreu muitas conseqüências.
É que Deméter - deusa e mãe da terra cultivada - 
cheia de dor e revolta com a ausência da filha, 
retirou-se de suas funções, provocando na terra 
uma seca devastadora.
Foi assim que a história se deu: distraia-se a 
deusa Core e suas amigas ninfas, no meio de 
um campo florido, quando foi vista e de imediato 
amada por Plutão, que acabara de ser atingido 
por uma seta de Eros.
Ora, Eros apenas atendeu a um pedido da mãe 
Afrodite, desejosa de alargar seu império de 
Amor até o Hades. Deméter recusou a Plutão 
permissão para casar com sua filha, mas o 
pretendente não desistiu e pediu ajuda ao 
senhor do Olimpo.
Zeus o aconselhou a aguardar uma ocasião 
propícia e Plutão suspendeu o assédio, 
enquanto arquitetava um plano.
E a oportunidade logo se apresentou, 
quando Core e suas amigas passeavam em 
um bosque de eterna primavera e águas cristalinas.
A filha de Deméter colhia lírios e violetas quando, 
extasiada, percebeu um magnífico narciso à beira 
de um lago. Debruçou-se para apanhá-lo, mas eis 
que de uma larga fenda aberta na terra surge, 
do abismo escuro, um carro de ouro conduzido 
por Plutão. A moça é arrebatada pelo senhor 
dos Hades, que a transporta para as profundezas 
do seu reino. Core grita pedindo socorro, na 
esperança de ser salva por Deméter ou talvez 
por seu poderoso pai Zeus. Mas a carruagem já 
mergulha no seio da terra e ganha o mundo das 
sombras.
Core ainda grita. Deméter escuta e corre para o 
local de onde veio o som, mas apenas vê a terra 
fechar-se sobre o rastro da filha. Agora a deusa 
Core pertence ao sombrio Tártaro e nem seu nome
pode conservar. Passa a chamar-se Perséfone.
Deméter, desesperada, vaga dias e noites à 
procura da filha. Sobe ao Olimpo, interroga, 
ninguém sabe. Procura o sol, que tudo vê, e 
pede-lhe que revele quem raptou a sua filha.
­ Plutão a arrebatou para o seu mundo, 
com o concentimento de Zeus, respondeu-lhe 
o Sol. Irritada com os irmãos, Deméter abandonou 
o monte sagrado e suas funções divinas. 
Resolveu permanecer na terra até que lhe 
devolvessem a filha. Disfarçada de velha, 
dirigiu-se aos Elêusis, onde é convidada pela rainha 
Metanira a cuidar do seu filho Demofonte.
A deusa deseja tornar o menino imortal e 
passa a realizar, diariamente, o ritual iniciático. 
Uma noite Metanira surpreende a deusa no ritual.
Vendo o filho entre as chamas do fogo, 
grita desesperada. Deméter interrompe o rito 
iniciático e surge em todo o seu esplendor de
deusa. Solicita, então, que lhe ergam um grande 
templo, onde ela, pessoalmente, ensinaria seus 
ritos aos seres humanos. Depois, recolheu-se 
no interior do Santuário, consumida pela saudade 
da filha Perséfone. Tal era a sua dor e revolta, que
recusou-se a continuar protegendo as plantações 
e colheitas.
A terra estava estéril e as plantações morriam. 
A fome se alastrava. Vendo que a ordem do mundo 
estava ameaçada, Zeus manda mensageiros a 
Deméter, pedindo-lhe que retorne ao Olimpo.
Ela impõe a condição de devolverem-lhe a filha, 
para só então voltar ao convívio dos deuses e 
restabelecer a vida da vegetação.
Zeus pede a Plutão que devolva Perséfone. 
Plutão consente, mas antes de fazê-lo, 
o senhor do Hades, habilmente, induziu a
esposa a comer uma semente de romã, 
o que a impedia de deixar a "outra vida". 
Ela não conhecia a regra: quem comesse 
qualquer coisa no Tártaro, devia sempre retornar.
Chegou-se, assim, a um consenso: 
Perséfone deveria passar com o esposo quatro 
meses do ano e as duas outras partes ficaria com a
mãe e no convívio dos deuses.
Feliz com o retorno da filha, Deméter dirigia-se para 
o Olimpo em sua companhia. A seus passos, 
os campos ressecados umedecem e fertilizam-se. 
As folres voltam a desabrochar, toda a natureza 
fica em festa.
Antes de voltar ao Olimpo, porém, a augusta deusa 
ensinou todos os seus rituais ao rei Céleo e a seu 
filho Triptólemo. Estavam instruídos nos Mistérios 
dos Elêusis. No Santuário dos Elêusis, a deusa 
é proclamada a "maior fonte de riqueza e alegria". 
Recuperando, por dois terços do ano, a companhia
de Perséfone, a deusa devolveu o grão da vida, 
que em sua dolorosa ira havia escondido.
Deméter, assim, é a Terra-mãe, a matriz universal, 
a mãe do grão e sua filha, Core, o grão mesmo 
do trigo, alimento e semente que, escondida por 
certo tempo no seio da terra, dela novamente brota 
em novos rebentos.
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Terça-feira, Setembro 21

 

Vassily Kandinsky


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Paul Klee

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TEMPO
(Claudia Garrocini)
O tempo foge por entre meus dedos 
O caminho se perde sob meus pés 
O destino me acena ao longe 
E não posso ver com clareza 
Meu sonho se confunde com sua existência 
Meu mundo se perde em seu silêncio 
Tua voz estremece minha alma
Um recado deixado 
Um sorriso 
Um toque 
E essa amizade que não evolui num beijo 


DISCUTIR MUSICALIDADE
(Claudia Garrocini) 
Ouvir o tempo 
O pulsar do momento 
Lento
Ter de novo a sensação 
Ecoando nos ouvidos 
Que o encantamento 
Apenas começou 
Ainda num toque 
Suave e contínuo 
Dos dedos ao violão 
Do espaço e da emoção 
Escutar de repente 
Um som que te leva para casa 
Um tom que não passa 
Uma canção qualquer 
Que toca de leve 
A pele 
O tímpano 
O sentimento. 

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As vezes as pessoas ficam confusas.
comigo não é diferente
hoje mudei o template do blog
perdi muito do que tinha feito
que vou implorar
para alguém me ajudar
a recuperar...

Gostei de ter mudado,
ainda não é o que queria 
mas pelo menos consegui 
colocar de novo o contador.

Hoje foi um dia muito especial...





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AMOR PLATONICO
Legião Urbana

Eu sou apenas alguem
ou ate mesmo ninguem
talvez alguem invisivel
que a admira a distancia
sem a menor esperanca
de um dia tornar-me visivel
e voce?
voce e o motivo
do meu amanhecer
e a minha angustia
ao anoitecer
voce e o brinquedo caro
e eu a crianca pobre
o menino solitario que quer ter o que nao pode
dono de um amor sublime
mas culpado por quere-la
como quem a olha na vitrine
mas jamais podera te-la
eu sei de todas as suas tristezas
e alegrias
mas voce nada sabes
nem da minha fraqueza
nem da minha covardia
nem sequer que eu existo
e como um filme banal
entre o figurante e a atriz principal
meu papel era irrelevante
para contracenar
no final

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FADAS
Luiz Melodia

Devo de ir fadas
Inseto voa inseto sem direção
Meu bem te vi nada 
ou fada borboleta ou fada canção
as ilusões fartas
na fada com varinha virei condão
rabo de pipa olho de vidro
pra suportar uma costela de Adão ..Repete

um toque de sonhar sozinho
te leva em qualquer direção
de flauta remo ou moinho



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FOI UM BEIJO... 
Martha Medeiros

foi um beijo onde não importava a boca
só tuas mãos quentes me apertando pelas costas
nada estava acontecendo na minha frente
e a ansiedade que havia não era pouca
teus dedos perguntavam pra minha blusa
se meu corpo acolheria um delinqüente
descoladas as línguas um instante
minha resposta saiu um tanto rouca

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Segunda-feira, Setembro 20

 
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Gente,
depois da pneumotorax estou de volta
com uma saudade especial de um francano
que não vejo há tempo e que queria muito
poder abraçar...
Como a distância 
momentaneamente me impede,
fica aqui um tanto de música 
que eu queria lhe cantar.
Beijocas!

ESTRELA
Gilberto Gil

Há de surgir 
Uma estrela no céu 
Cada vez que ocê sorrir 
Há de apagar 
Uma estrela no céu 
Cada vez que ocê chorar 

O contrário também 
Bem que pode acontecer 
De uma estrela brilhar 
Quando a lágrima cair 
Ou então 
De uma estrela cadente se jogar 
Só pra ver 
A flor do seu sorriso se abrir 
Hum! 
Deus fará 
Absurdos 
Contanto que a vida 
Seja assim 
Sim 
Um altar 
Onde a gente celebre 

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EU TE AMO
Chico Buarque

Ah, se já perdemos a noção da hora 
Se juntos já jogamos tudo fora 
Me conta agora como hei de partir 

Se, ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios 
Rompi com o mundo, queimei meus navios 
Me diz pra onde é que inda posso ir 

Se nós nas travessuras das noites eternas 
Já confundimos tanto as nossas pernas 
Diz com que pernas eu devo seguir 

Se entornaste a nossa sorte pelo chão 
Se na bagunça do teu coração 
Meu sangue errou de veia e se perdeu 

Como, se na desordem do armário embutido 
Meu paletó enlaça o teu vestido 
E o meu sapato inda pisa no teu 

Como, se nos amamos feito dois pagãos 
Teus seios inda estão nas minhas mãos 
Me explica com que cara eu vou sair 

Não, acho que estás te fazendo de tonta 
Te dei meus olhos pra tomares conta 
Agora conta como hei de partir.

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FICO ASSIM SEM VOCÊ
Adriana Calcanhotto

Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola
Piu-piu sem Frajola
Sou eu assim sem você

Porque que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim

Amor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço
Namoro sem amasso
Sou eu assim sem você

Tô louca pra te ver chegar
Tô louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por quê? Por quê?

Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você

Porque que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo 

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VALE QUANTO PESA
Luiz Melodia

Quanto você ganha pra me enganar
Quanto você paga pra me ver sofrer
É quanto você força pra me derreter
Sou forte feito cobra coral
Semente brota em qualquer local
Um velho novo cartão postal, cartão postal
Aquela madrugada deu em nada, deu em muito, deu em sol
Aquele seu desejo me deu medo, me deu força, me deu mal
Ai de mim, de nós dois
Ai de mim, de nós dois
Vale quanto pesa, reza a lesa de nós dois
Ai de mim, de nós dois
Temos um passado já marcado não podemos mentir
Beijos demorados afirmados não podemos mentir

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GOTAS DE SAUDADE
Luiz Melodia

Vai chegar a chuva, a chuva
Molha as minhas mãos
Gotas de saudade de uma paixão
Vem chegando a chuva, a chuva
Molha as minhas mãos
Vozes do passado vem do coração
Nem a distância dos rios
Que correm pro mar
Nem a força do dragão me fará hesitar
Com a distância dos dias que o tempo fará
O sol seu calor, meu amor, vem me guiar, ou não...
Leiloei meu coração
Pra de longe você ver
Não é mais chuva de verão
Pensei em você....

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Quarta-feira, Setembro 15

 

Nada sério...



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MILÁGRIMAS
(Alice Ruiz e Itamar Assumpção)
  
em caso de dor ponha gelo 
mude o corte de cabelo 
mude como modelo 
vá ao cinema dê um sorriso 
ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo 

se amargo foi já ter sido 
troque já esse vestido 
troque o padrão do tecido 
saia do sério deixe os critérios 
siga todos os sentidos 
faça fazer sentido 
a cada mil lágrimas sai um milagre 

caso de tristeza vire a mesa 
coma só a sobremesa coma somente a cereja 
jogue para cima faça cena 
cante as rimas de um poema 
sofra penas viva apenas 
sendo só fissura ou loucura 
quem sabe casando cura ninguém sabe o que procura 
faça uma novena reze um terço 
caia fora do contexto invente seu endereço 
a cada mil lágrimas sai um milagre 

mas se apesar de banal 
chorar for inevitável sinta o gosto do sal do sal do sal 
sinta o gosto do sal 
gota a gota, uma a uma 
duas três dez cem mil lágrimas 
sinta o milagre 
a cada mil lágrimas sai um milagre
cante as rimas de um poema 
sofra penas viva apenas 
sendo só fissura ou loucura 
quem sabe casando cura ninguém sabe o que procura 
faça uma novena reze um terço 
caia fora do contexto invente seu endereço 
a cada mil lágrimas sai um milagre

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Um pouco de Neruda...

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.


É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

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Quinta-feira, Setembro 9

 
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Uma poesia de Smoochy

A minha vida vai mudar
Tento em vão mentalizar-me 
Que a minha vida vai mudar 
E que deste grande pesadelo 
Um dia hei-de acordar 
Poderei então ser feliz 
E poderei sem medo amar 
Não receando conhecer 
Por quem me irei apaixonar 
Começo a ver que a vida 
Não é sonho afinal 
E que a realidade é fria 
E tem tanto de dura como fatal 
Vou ter de me habituar 
Neste mundo a viver 
Sem grandes ilusões 
Para não voltar a sofrer 
Apesar de não ser um sonho 
A vida também tem felicidade 
E tenho tanto direito a ela 
Que vou lutar pela minha vontade 
Esqueço-me muitas vezes 
Que para vencer é preciso lutar 
E é o que vou fazer 
Se quiser realmente vir a amar 
Portanto vou em frente 
Com esta minha decisão 
Para poder dar lugar 
A alguém especial no meu coração


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Olh'aí o verbo perpassar na poesia da Cecília... 
Um amigo um dia ficou de cara quando usei esse verbo. 
Coincidentemente hoje,
quando procurava algo da Cecília Meireles, encontrei
o verbo na sua doçura, entre o tecer de palavras
tão bem feito pela poetisa. Sei que as pessoas
gostam de ler nossas confissões, mas eu tenho
dificuldade de falar sério... A poesia há muito se tornou
minha comunicação com o mundo.
Um beijo para todos 
que vêm buscar um 'cadinho de poesia aqui...
Beijoca pro cê Zico!
E agora vamos de Chico!


CECÍLIA
Chico Buarque

 
Quantos artistas entoam baladas pras suas  amadas 
Com grandes orquestras
Como os invejo 
Como os admiro 
Eu, que te vejo e nem quase suspiro
Quantos poetas românticos, prosas 
Exaltam suas musas com todas as letras
Eu te murmuro 
Eu te suspiro 
Eu, que soletro teu nome no escuro
Me escutas, Cecília? 
Mas eu   te chamava em silêncio
Na tua presença palavras 
são brutas pode ser que entreaberto
Meus lábios de leve tremessem por ti
Mas nem as sutis melodias
Merecem, Cecília, teu nome espalhar por aí
Como tantos poetas 
Tantos cantores 
Tantas Cecílias com mil  refletores
Eu, que não digo, mas ardo de desejo
Te olho Te guardo Te sigo Te vejo dormir

Me escutas, Cecília?
Mas eu  te chamava em silêncio
Na tua presença palavra são brutas   
Pode ser que, entreabertos
Meus lábios de leve   tremessem por ti
Mas nem as sutis melodias      
Merecem, Cecília, teu nome espalhar    por aí
Como tantos  poetas 
Tantos cantores 
Tantas Cecílias com mil  refletores
Eu, que não digo,  mas ardo de desejo
Te olho Te guardo Te sigo Te vejo
Te olho Te guardo Te sigo Te vejo dormir

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BALADA DAS DEZ BAILARINAS DO CASSINO
(Cecília Meireles) 

Dez bailarinas deslizam
por um chão de espelho.
Têm corpos egípcios com placas douradas,
pálpebras azuis e dedos vermelhos.
Levantam véus brancos, de ingênuos aromas,
e dobram amarelos joelhos.

Andam as dez bailarinas
sem voz, em redor das mesas.
Há mãos sobre facas, dentes sobre flores
e com os charutos toldam as luzes acesas.
Entre a música e a dança escorre
uma sedosa escada de vileza.

As dez bailarinas avançam
como gafanhotos perdidos.
Avançam, recuam, na sala compacta,
empurrando olhares e arranhando o ruído.
Tão nuas se sentem que já vão cobertas
de imaginários, chorosos vestidos.

A dez bailarinas escondem
nos cílios verdes as pupilas.
Em seus quadris fosforescentes,
passa uma faixa de morte tranqüila.
Como quem leva para a terra um filho morto,
levam seu próprio corpo, que baila e cintila.

Os homens gordos olham com um tédio enorme
as dez bailarinas tão frias.
Pobres serpentes sem luxúria,
que são crianças, durante o dia.
Dez anjos anêmicos, de axilas profundas,
embalsamados de melancolia.

Vão perpassando como dez múmias,
as bailarinas fatigadas.
Ramo de nardos inclinando flores
azuis, brancas, verdes, douradas.
Dez mães chorariam, se vissem
as bailarinas de mãos dadas.

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Terça-feira, Setembro 7

 

Tem gente reclamando por eu não escrever
nada sobre mim... Bom, nunca fui muito boa nisso,
'inda mais quando sei que muitas pessoas lêem...
Hoje quando entrei na Zona e vi o trabalho do Andy, senti 
uma vontade enorme de postar seus quadros...
Estou muito feliz com o curso de História da Arte...
Beijo no doido que eu adoro!



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Segunda-feira, Setembro 6

 
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SEU SOM
(Claudia Garrocini)

Não vá antes de me mostrar a lua
Nem me deixe sem saber de você
Do que você gosta e faz
Do que quer boscar enfim,
Quem sabe cê não busca por mim?

Que danço calada entre as madrugadas frias
Esperando você chegar
Quero você perto de mim
Bem perto onde eu possa sentir
Sua respiração, seu beijo, seu cheiro, seu som.

Não vá ainda você sabe que eu sou sua
Mas é você quem tem que saber
Da falta que você faz,
Talvez se você decidir
Quem sabe não decide por mim?

Que sofro calada entre as noites vazias
Com medo de vir me falar 
Que precisa de mim
Que você quer sentir
Minha respiração, meu beijo, meu cheiro, meu som.

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SE
(Alice Ruiz)

se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra

eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto

ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio

daí vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
a gente se cruzasse...

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A LUA NO CINEMA
(Paulo Leminski)

A lua foi ao cinema,
passava um filme muito engraçado,
a hitória de uma estrela
que não tinha namorado.
Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!
Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.
A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
-Amanheça, por favor!

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O ÚLTIMO POEMA
(Manuel Bandeira)

Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais 
simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço 
sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores 
quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem 
os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas 
que se matam sem explicação.

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MÃOS DADAS
(Carlos Drummond de Andrade)

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem 
vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, 
os homens presentes, a vida presente.

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AR DE NOTURNO
(Federico Garcia Lorca)

Tenho muito medo
das folhas mortas,
medo dos prados
cheios de orvalho.
eu vou dormir;
se não me despertas,
deixarei a teu lado meu coração frio.

O que é isso que soa
bem longe ?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu !

Pus em ti colares
com gemas de aurora.
Por que me abandonas
neste caminho ?
Se vais muito longe,
meu pássaro chora
e a verde vinha
não dará seu vinho.

O que é isso que soa
bem longe ?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu !

Nunca saberás,
esfinge de neve,
o muito que eu
haveria de te querer
essas madrugadas
quando chove
e no ramo seco
se desfaz o ninho.

O que é isso que soa
bem longe ?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu !


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Quinta-feira, Setembro 2

 
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Mais Laerte! 






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NESTA AUSÊNCIA 
Gilka Machado 

Nesta ausência que me excita,
tenho-te, à minha vontade,
numa vontade infinita...
Distância, sejas bendita!
Bendita sejas, saudade!

Teu nome lindo...Ao dizê-lo
queimo os lábios, meu amor!
- O teu nome é um setestrelo
na noite da minha dor.

Nunca digas com firmeza
que a mágoa apenas crucia:
a saudade é uma tristeza,
que nos dá tanta alegria!

Passo horas calada e queda,
a rever, a relembrar
as duas asas de seda
do teu langoroso olhar.

Se a mágoa nos não conforta,
por que é que a felicidade
tem mais sabor quando morta,
depois que se faz saudade?

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MULHER AO ESPELHO
Cecília Meireles 

Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

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Menino do tempo e espaço
me prenda no seu abraço
me guarde no fundo do seu olhar
Esse desejo bonito
que mesmo sabendo
do grito
Insiste em metralhar
minha calma
minha alma
meu corpo cheio de sol.
(Claudia Garrocini)


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 "PEGAR LEVE É VITAL PARA A FELICIDADE" 
(Ailin Aleixo é colunista da revista Vip, 
onde este artigo foi originalmente publicado) 

Gente chata essa, que quer ser séria, profunda, visceral. 
Putz, que coisa pentelha. 
A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, 
um tratado do Schopenhauer? 
Deixe a pungência para as horas em que ela é inevitável: 
mortes, separações, dores. 
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota. 
Ria dos próprios defeitos, tire sarro de suas inabilidades. 
Ignore o que o boçal do seu chefe proferiu. 
Pense assim: "Quem tem que carregar aquela cara feia, 
todos os dias, inseparavelmente, é ele...Pobre dele." 
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor,
 dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. 
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém 
que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, 
objetivos claramente traçados mas não consegue rir quando tropeça? 
Que sabe resolver uma crise familiar mas não tem 
a menor idéia de como preencher as horas livres 
de um fim de semana? Sim, porque é bem comum gente 
que fica perdida quando se acabam os problemas. 
E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? 
Em suma: desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém 
assim comigo. A realidade já é dura; piora se for densa. 
Dura e densa, ruim. Brincar é legal. Entendeu? 
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, 
tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, 
não ser imaturo, não se descontrolar, não demonstrar 
o que sente. É muito não. Dá pra ser feliz com tanto não? 
Pagar as contas, ser bem- sucedido, amar, ter filhos - 
tarefa brava. Piora, muito, com o peso de todos aqueles nãos. 
Tenha fé em uma coisa: dá certo ser adulto e idiota. 
Aliás, tudo fica bem mais fácil ser for regado a idiotice, bom humor. 
Manuel Bandeira foi um grande homem e um grande poeta. 
Disse certa vez: -"E por que essa condenação da piada, 
como se a vida fosse só feita de momentos graves 
ou só nesses houvesse teor poético?" 
Estava certo. Empine pipa!!! 
Adultos podem (e devem) contar piadas, ir ao fliperama, 
beliscar a bunda da sua mulher, sair pelado pela cozinha. 
Ser adulto não é perder os prazeres da vida - 
e esse é o único "não" aceitável. Teste a teoria. 
Uma semaninha, pra começar. Veja e sinta as coisas 
como se elas fossem o que são: passageiras. 
A briga, a dívida, a dor, a raiva, tudinho vai passar, 
então pra que tanta gravidade? 
Já fez tudo o que podia para resolver o problema? 
Parou, chorou, pediu arrego? Ótimo, hora da idiotice: 
entre na Internet, jogue pebolim, coma um churrasco grego. 
Tá numa de empinar pipa no sábado? 
Vá. Quer conversar com sua namorada imitando 
o Pato Donald mas acha muito boçal? E é, mas e daí ? 
Você realmente acha que ela vai gostar menos de você por isso ? 
Ela não vai, tenha certeza. Só vai gostar mais, 
porque é delicioso estarmos com quem sorri e ri de si mesmo. 
Eu fico chateado por não ser tão idiota quanto gostaria; 
tenho uma mania horrível de, sem querer, recair na seriedade. 
Então o mundo fica cinza e cada lágrima ganha 
o peso de uma bigorna. Nessas horas 
não preciso de cenhos franzidos de preocupação. 
Nessas horas tudo de que preciso é uma bela, 
grande e impagável idiotice. Como sair pra jogar 
paintball - ou, melhor ainda, me olhar fixamente 
no espelho até notar como fico feio 
com os olhos vermelhos e o nariz escorrendo. 
Como fico ridículo quando esqueço que tudo passa. 
Bom mesmo é ter o problema na cabeça, 
o sorriso na boca e paz no coração!

Valeu Andrezito! Belo texto!
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- kcau, 11:25 AM
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POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS 
(Clarice Lispector) 

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, 
a alegria como quando se sente a garganta 
um pouco seca e se vê que por admiração 
se estava de boca entreaberta: 
eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, 
e ter esta sede era a própria água deles. 
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, 
falavam e riam para dar matéria peso 
à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. 
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, 
e ao toque - a sede é a graça, mas as águas 
são uma beleza de escuras - 
e ao toque brilhava o brilho da água deles, 
a boca ficando um pouco mais seca de admiração. 
Como eles admiravam estarem juntos! 
Até que tudo se transformou em não. 
Tudo se transformou em não quando eles quiseram 
essa mesma alegria deles. 
Então a grande dança dos erros. 
O cerimonial das palavras desacertadas. 
Ele procurava e não via, 
ela não via que ele não vira, 
ela que, estava ali, no entanto. 
No entanto ele que estava ali. 
Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, 
e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, 
sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, 
só porque não estavam bastante distraídos. 
Só porque, de súbito exigentes e duros, 
quiseram ter o que já tinham. 
Tudo porque quiseram dar um nome; 
porque quiseram ser, eles que eram. 
Foram então aprender que, não se estando distraído, 
o telefone não toca, e é preciso sair de casa para 
que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, 
o deserto da espera já cortou os fios. 
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

 

 
   
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