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Parla!:
Segunda-feira, Junho 27
Parla!:
PARAREALIDADE
(Claudemir Ferreira)
acontece que não me canso
dos traços mínimos que desenham teu rosto
das tantas palavras tuas que me faltam aos ouvidos
e das linhas que
inexistem teus escritos
tudo, menos o silencio, tudo,
menos o que você não diz
o ombro arqueado espera risadas que,
talvez um dia, levantarão vôo
escapando entre os vãos dos dedos,
das portas e dos espaços de pouco mobília
quase não a vejo mais
e plano jururu percorrendo o final do inverno
no quintal
dessa caixa de fábula e clareza
meu passo bate rumo às torres
sapatos transparentes,
cristal e romã deserdados estranhamente
rasgam-me o escudo
tal como um lado do sol
se pondo por detrás do muro
como cartas ausentes
amarelecidas deixadas por dias
e todas as palavras
em teus braços
na ausência das flores
claras extraídas do chão
o papel floresce e
a caneta cobalto decanta
bilhetes em garrafas perdidas
na água deixam-se engolir,
tantas garrafas e
tanto mar por vir
não me canso,
talvez um dia me encontre
com teus grandes olhos pardos
escuros
mesmo que pelo instante
em que a pólvora do fósforo
alumie e parta logo
enquanto não chego
remota e legítima possibilidade
de um dia qualquer sobriamente te ver
sem leme,
sem ponto,
sem porto,
sem pouco.
Parla!:
QUE ME VENHA ESSE HOMEM
(Bruna Lombardi )
Que me venha esse homem
depois de alguma chuva
que me prenda de tarde
em sua teia de veludo
que me fira com os olhos
e me penetre em tudo.
Que me venha esse homem
de músculos exatos
com um desejo agreste
com um cheiro de mato
que me prenda de noite
em sua rede de braços
que me perca em seus fios
de algas e sargaços.
Que me venha com força
com gosto de desbravar
que me faça de mata
pra percorrer devagar
que me faça de rio
pra se deixar naufragar.
Que me salve esse homem
com sua febre de fogo
que me prenda no espaço
de seu passo mais louco.
Parla!:
TEMPO
O tempo foge por entre meus dedos
O caminho se perde sob meus pés
O destino me acena ao longe
E não posso ver com clareza
Meu sonho se confunde com sua existência
Meu mundo se perde em seu silêncio
Tua voz estremece minha alma
Um recado deixado
Um sorriso
Um toque
E essa amizade que não evolui num beijo
(Claudia Garrocini)
Parla!:
Parla!:
Quinta-feira, Junho 23
Parla!:
Esse texto que a Evelyn mandou...
podia ser entendido por milhões de pessoas...
VOCÊ PODE...
Espero que você possa aceitar
as coisas como elas são;
Sem pensar que tudo conspira contra você...
Porque parte de nós é entendimento...
mas a outra parte é aprendizado...
Que você possa ter forças para
vencer todos os seus medos;
e que, no final,possa alcançar
todos os seus objetivos...
Porque parte de nós é cansaço...
mas a outra parte é vontade...
Que tudo aquilo que você vê
e escuta possa lhe trazer conhecimento;
que essa escola possa ser longa e feliz...
Porque parte de nós é o que vivemos...
mas a outra parte é o que esperamos...
Que você possa aprender a
perder sem se sentir derrotado;
que isso possa fazer você
cada vez mais guerreiro...
Porque parte de nós é o que temos...
mas a outra parte é sonho...
Que durante a sua vida você possa
construir sentimentos verdadeiros;
que você possa aceitar que
só quem soube da sombra,
pode saber da luz...
Porque parte de nós é angústia...
mas a outra parte é conforto...
Que você nunca deixe de acreditar;
que nunca perca sua fé...
Porque parte de DEUS é amor...
e a outra parte também!"
João Paulo II
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Quarta-feira, Junho 15
Parla!:
O amor não é algo que faz você sair do chão
e te transporta para lugares que você nunca viu.
O nome disso é avião.
O amor é outra coisa.
O amor não é uma coisa que você esconde
dentro de si e não! Mostra para ninguém.
Isso se chama vibrador tailandês de três velocidades.
O amor é outra coisa.
O amor não é uma coisa que te faz perder a
respiração e a fala.
O nome disso é bronquite asmática.
O amor é outra coisa.
O amor não é uma coisa que chega de repente
e te transforma em refém.
Isso se chama seqüestrador.
O amor é outra coisa.
O amor não é uma coisa que voa alto no céu
e deixa sua marca por onde passa.
Isso se chama sujeira de pombo...
O amor é outra coisa.
O amor não é uma coisa que você pode prender
ou botar pra fora de casa quando bem entender.
Isso se chama cachorro.
O amor é outra coisa.
O amor não é uma coisa que lançou uma luz
sobre você, te levou pra ver estrelas e te trouxe
de volta com algo dele dentro de você.
Isso se chama alienígena.
O amor é outra coisa.
O amor não é uma coisa que desapareceu e que,
se encontrado, poderia mudar o que está diante de ti.
Isso se chama controle remoto de TV.
O amor é outra coisa.
O amor é simplesmente... o amor.
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Quinta-feira, Junho 9
Parla!:
Se alguém bater um dia à tua porta,
Dizendo que é um emissário meu,
Não acredites, nem que seja eu;
Que o meu vaidoso orgulho não comporta
Bater sequer à porta irreal do céu.
Mas se, naturalmente, e sem ouvir
Alguém bater, fores a porta abrir
E encontrares alguém como que à espera
De ousar bater, medita um pouco. Esse era
Meu emissário e eu e o que comporta
O meu orgulho do que desespera.
Abre a quem não bater à tua porta!
Fernando Pessoa, 5-9-1934.
Parla!:
Cai amplo o frio e eu durmo na tardança
De adormecer.
Sou, sem lar, nem conforto, nem esperança,
Nem desejo de os ter.
E um choro por meu ser me inunda
A imaginação.
Saudade vaga, anônima, profunda,
Náusea da indecisão.
Frio do Inverno duro, não te tira
Agasalho ou amor.
Dentro em meus ossos teu tremor delira.
Cessa, seja eu quem for!
Fernando Pessoa, 19-1-1931.
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