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Parla!:
Quinta-feira, Julho 28
Parla!:
meu olhar na avenida Paulista
Parla!:
Segunda-feira, Julho 25
Paulo Bueno, vc me surpreende!
gente... olha que lindo esse texto!
Meus amigos são todos assim:
metade loucura, outra
metade santidade.
Escolho-os, não pela pele
ou outro arquétipo qualquer,
mas pela pupila.
Tem que ter brilho
questionador e tonalidade
inquietante.
A mim não interessam
os bons de espírito,
nem os maus de habitos.
Fico com aqueles que fazem
de mim louco e santo.
Deles não quero resposta,
quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas
e angústias e aguentem o que há
de pior em mim.
Para isso, só sendo louco!
Quero-os santos, para que
não duvidem das diferenças
E peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada
e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo,
quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto,
não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim:
metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis,
nem choros piedosos.
Quero amigos sérios,
daqueles que fazem da realidade
sua fonte de aprendizagem,
Mas lutam para que a fantasia
não desapareça.
Não quero amigos adultos, nem chatos.
Quero-os metade infância
e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam
o valor do vento no rosto
E velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos, para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos,
bobos e sérios, crianças e velhos
Nunca me esquecerei
de que a "normalidade"
é uma ilusão imbecil e estéril.
Oscar Wilde
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Domingo, Julho 24
CANÇÃO NA PLENITUDE
Lia Luft
Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
abrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força - que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés - mesmo se fogem - retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.
Parla!:
já não temo fantasmas
invoco a todos
que venham em bando
povoar meus dias
atormentar minhas noites
entre tantos
loucos e livres
existe um
que é doce
e que me falta
Alice Ruiz
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ESTRELA PERIGOSA
Clarice Lispector
Estrela perigosa
Rosto ao vento
Marulho e silêncio
leve porcelana
templo submerso
trigo e vinho
tristeza de coisa vivida
árvores já floresceram
o sal trazido pelo vento
conhecimento por encantação
esqueleto de idéias
ora pro nobis
Decompor a luz
mistério de estrelas
paixão pela exatidão
caça aos vagalumes.
Vagalume é como orvalho
Diálogos que disfarçam
conflitos por explodir
Ela pode ser venenosa
como às vezes o cogumelo é.
No obscuro erotismo de vida
cheia nodosas raízes.
Missa negra, feiticeiros.
Na proximidade de fontes,
lagos e cachoeiras
braços e pernas e olhos,
todos mortos se misturam
e clamam por vida.
Sinto a falta dele
como se me faltasse
um dente na frente:
excrucitante.
Que medo alegre,
o de te esperar.
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Terça-feira, Julho 19
Parla!:
EMOÇÃO E POESIA
Quem quer que seja de algum modo um poeta sabe
muito bem quão mais fácil é escrever um bom poema
(se os bons poemas se acham ao alcance do homem)
a respeito de uma mulher que lhe interessa muito do
que a respeito de uma mulher pela qual está profundamente
apaixonado. A melhor espécie de poema de amor é, em geral,
escrita a respeito de uma mulher abstrata.
Uma grande emoção é por demais egoísta;
absorve em si própria todo o sangue do espírito, e a congestão
deixa as mãos demasiado frias para escrever.
Três espécies de emoções produzem grande poesia -
emoções fortes e profundas ao serem lembradas muito tempo depois;
e emoções falsas, isto é, emoções sentidas no intelecto.
Não a insinceridade, mas sim, uma sinceridade traduzida,
é a base de toda a arte.
O grande general que pretende ganhar uma batalha para o império
de seu país e para a história de seu povo não deseja - não pode
desejar ter muitos de seus soldados assassinados (mortos).
Contudo, uma vez que tenha penetrado na contemplação de sua
estratégia, escolherá (sem um pensamento para seus homens)
o golpe melhor, embora o faça perder cem mil homens,
em vez da estratégia pior, ou mesmo a mais lenta,
que lhe pode deixar nove décimos daqueles homens
com quem e por quem luta, e a quem, em geral, ama.
Torna-se um artista por amor a seus compatriotas,
e expõe-nos à carnificina por causa de sua estratégia.
Fernando Pessoa.
Parla!:
ARTE E INSTINTO
Se a obra de arte proviesse da intenção de fazê-la,
podia ser produto da vontade.
Como não provém, só pode ser, essencialmente,
produto do instinto; pois que instinto e vontade
são as únicas duas qualidades que operam.
A obra de arte é, portanto, uma produção do instinto.
O drama, sendo primariamente uma obra de arte,
é-o também.
Fernando Pessoa, 1916
Parla!:
Segunda-feira, Julho 4
Olha essa foto do Alan Davis!
Tem muito mais no www.antihalo.com
Roda mundo, roda gigante,
roda moinho, roda peão...
O tempo rodou num instante,
nas voltas do meu coração...
Parla!:
Foto linda do Edu Fazzio!
Confere no photopixel!
Parla!:
"Eu te ter você"
André Batera
Eu te lua minguante,
eu te algodão doce,
eu te sorvete napolitano com calda de chocolate e mm´s,
eu te abacaxi,
eu te leite quente no frio,
eu te sonho de valsa,
eu te chuva,
eu te rocambole de morango,
eu te água gelada,
eu te domindo a tarde no parque,
eu te música,
eu te poesia,
eu te manga doce,
eu te chocolates finos de Campos de Jordão,
eu te poesias de Fernando Pessoa,
eu te com você debaixo do edredon,
eu te stragonoff de frango com batata palha e cogumelos,
eu te formatura de faculdade,
eu te praia de palmas,
eu te cachoeira,
eu te fim de semana no campo,
eu te noite bem dormida,
eu te arco-íris,
eu te margarida,
eu te frio,
eu te madrugada,
eu te brigadeiro,
eu te você...
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