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Terça-feira, Agosto 30
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PRISÃO DAS RUAS
Ira!
Momentos silenciosos, foram aqueles
Em que eu e você, ficamos nos olhando, a sós
Momentos mágicos, onde eu esquecia
Da realidade da minha vida, do meu dia-a-dia
A paz do meu espírito, em doses homeopáticas
Podia ser mais, mas eu sei que é só isso
Eu insisto
Eu confesso...eu não presto, mas existem
Momentos silenciosos, foram aqueles
Em que eu e você, ficamos nos amando, a sós
Seu rosto, seu sorriso
Sua pele, sua musicalidade me acalmavam (doce ópio)
Na fila dos bancos
No trânsito confuso
Ouvindo o rádio em qualquer estação
Preparado para a prisão, das ruas
Prisão das ruas
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Terça-feira, Agosto 23
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Valeu Jackie!!!
Num processo de seleção da Volkswagen,
os candidatos deveriam responder à
seguinte pergunta: "Você tem experiência?"
A redação abaixo foi desenvolvida por um
dos candidatos. Ele foi aprovado e
seu texto está fazendo sucesso, e
ele com certeza será sempre lembrado por
sua criatividade, sua poesia e, acima de tudo,
por sua alma.
REDAÇÃO VENCEDORA:
Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela
parar de chorar, já me queimei brincando
com vela. Eu já fiz bola de chiclete e
melequei todo o rosto, já conversei com o espelho,
e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser
astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci
os pés pra fora. Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo. Já confundi sentimentos.
Peguei atalho errado e continuo andando
pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela
de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba
apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri
que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas,
já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola,
já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra
sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém
chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas
sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa
e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade
de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar. Já senti medo
do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci
novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade,
já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei
que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a lua virar sol,
já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos,
e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados
pelas lentes da emoção,
guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita:
"Qual sua experiência?".
Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência...experiência...
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência? Não!!!
Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou
esta pergunta: Experiência?
Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?".
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Sexta-feira, Agosto 19
Pirei nesse texto do Sartre que tá no site
da TV Cultura - Provocações.
Rola até uma interpretação de leitura
do Antônio Abujamra.
EI-LOS EM PÉ
Jean-Paul Sartre
O que vocês esperavam que acontecesse
quando tiraram a mordaça
que tapava essas bocas negras?
Esperavam que elas lhes lançassem louvores?
E essas cabeças que seus avós e
seus pais haviam dobrado à força até o chão?
O que esperavam?
Que se reerguessem com adoração nos olhos?
Ei-los em pé. Homens que nos olham.
Ei-los em pé.
Faço votos para que vocês sintam
como eu a comoção de ser visto.
Hoje, esses homens pretos nos miram
e nosso olhar re-entra em nossos olhos.
Tochas negras iluminam o mundo e
nossas cabeças brancas não passam
de pequenas luminárias
balançadas pelo vento.
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Sábado, Agosto 13
De novo o olhar... ainda a avenida...
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ainda me viro
e me vejo
pronta a te chamar
a te contar
que aprendi hoje
coisas que você soube
ainda te vejo
em cada bicho
em cada pensamento
me surpreendo olhando
com teus olhos de pesquisa
e o que vejo
vira beleza
Alice Ruiz
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Ah, tudo é símbolo e analogia!
O vento que passa, a noite que esfria,
São outra coisa que a noite e o vento ¿
Sombras de vida e de pensamento.
Tudo o que vemos é outra coisa.
A maré vasta, a maré ansiosa,
É o eco de outra maré que está
Onde é real o mundo que há.
Tudo o que temos é esquecimento.
A noite fria, o passar do vento,
São sombras de mãos, cujos gestos são
A ilusão madre desta ilusão.
in: Fausto - Goethe
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Pessoal... assistam um pedacinho do vídeo
que fiz sobre a Avenida Paulista
http://x102.putfile.com/videos/1552318549.wmv
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Quarta-feira, Agosto 10
Hoje choro sem saber a razão.
Hoje peço para desaparecer sem vestígios.
Hoje padeço da minha doença tão conhecida.
Hoje sinto um mar adentrar meus sentimentos.
Hoje quero calar, ouvir, chorar.
Hoje quero cantar, vibrar, tocar.
Hoje quero correr tanto, até perder o fôlego.
Hoje pressinto o óbvio.
Hoje vou fechar os olhos para não acontecer.
Hoje sou tão feio que me torno bonito.
Hoje sou tão triste que me torno poeta.
Hoje estou encrencado com o que sinto.
Hoje vou fazer o que não deveria.
Hoje vou fingir que está tudo bem.
Hoje vou dizer a todo mundo que sou calmo.
Hoje vou perder as estribeiras.
Hoje vou alçar um vôo novo, mesmo sem saber.
Hoje vou traçar um novo caminho do meu destino.
Hoje vou chorar até anoitecer.
Hoje vou cobrir meu coração com lã.
Hoje vou descobrir minhas manias.
Hoje vou provar que sou herói.
Hoje vou conquistar o mundo paralelo.
Hoje brincarei de adolescente.
Hoje vou enternecer os céticos.
Hoje vou entardecer calado.
Hoje vou anoitecer falante.
Hoje vou adormecer farsante.
Hoje grito por um dia lindo.
Hoje uma brisa me dirá a verdade.
Hoje vou chorar implorando.
Hoje não serei escutado como sempre.
Hoje não sairei do meu quarto.
Hoje não verei ninguém.
Hoje vou deitar com vontade de sofrer.
Hoje vou ir embora do paraíso.
Hoje vou dizer a verdade.
Hoje vou mentir.
Hoje vou ser meu último dia.
Hoje vou destacar minha segurança falsa.
Hoje vou me calar perante.
Hoje vou lacrimejar durante.
Hoje vou lamentar após.
Hoje vou virar tudo o que eu queria ter virado
em tantos anos de desilusão que venho tramando,
em tantas vidas de solidão que venho querendo,
em tantos momentos paralisados pelo tempo,
pelo meu amor que não tem fim,
e por isso me faz sofrer,
pelo meu único e mórbido sentimento
que me faz colar para desistir,
que me faz clonar para resistir...
André Batera
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Terça-feira, Agosto 9
O mesmo olhar... a mesma avenida...
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Gente,
estou fazendo uma disciplina na FAU
e nesses dias acabei me apaixonando
pela maneira deliciosa que Italo Calvino
descreve as cidades.
Trecho de "O caminho de San Giovanni"
...
E assim, mesmo agora, se me perguntam
que forma tem o mundo, se perguntam ao
mim mesmo que mora no interior de mim e
guarda a primeira impressão das coisas,
tenho de responder que o mundo está
disposto sobre uma porção de sacadas
que irregularmente se debruçam sobre uma
única grande sacada que se abre no vazio do ar,
no parapeito que é a breve tira do mar
contra o imenso céu, e naquele peitoril
ainda se debruça o verdadeiro de mim
mesmo no interior de mim,
no interior do suposto morador
de formas do mundo mais complexas
ou mais simples, mas derivadas, todas elas,
dessa forma, bem mais complexas e
ao mesmo tempo muito mais simples,
na medida em que todas estão contidas
naqueles desaprumos e declives iniciais
ou deles podem ser deduzidas,
daquele mundo de linhas quebradas
e oblíquas entre as quais
o horizonte é a única reta contínua.
...
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Sexta-feira, Agosto 5
AS COISAS
Arnaldo Antunes
As coisas têm peso,
massa, volume, tama-
nho, tempo, forma, cor,
posição, textura, dura-
ção, densidade, cheiro,
valor, consistência, pro-
fundidade, contorno,
temperatura, função,
aparência, preço, desti-
no, idade, sentido.
As coisas não têm paz.
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IMAGEM
Arnaldo Antunes
palavra lê
paisagem contempla
cinema assiste
cena vê
cor enxerga
corpo observa
luz vislumbra
vulto avista
alvo mira
céu admira
célula examina
detalhe nota
imagem fita
olho olha
Publicado no livro Tudos (1990), sem título. No livro Nome (1993), este
poema aparece com o título "Imagem". Música de Péricles Cavalcanti.
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Terça-feira, Agosto 2
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QUEM MORRE?
Pablo Neruda
Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma
em escravo do hábito, repetindo
todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um
redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa
quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto
para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez
na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se
da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto
que desconhece ou não responde
quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo
exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança
fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade
FELICIDADE é o que desejo !!!!
Valeu Carol Ceneda!!!
Saudadona!
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