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Parla!:
Sexta-feira, Setembro 30
ALEJANDRO XUL SOLAR
Parla!:
Sábado, Setembro 24
Dia 7 de outubro tem Abujamra no SESC Vila Mariana!
Ele interpreta os textos de Edson Marques e Pablo Picasso.
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MUDE
Edson Marques
Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,
calmamente, observando com atenção
os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear
livremente na praia, ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas
com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
Leia outros livros, viva outros romances.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
Escolha comidas diferentes,
Novos temperos, novas cores,
Novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
O novo jeito, o novo prazer, o novo amor,
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...
Outra marca de sabonete, outro creme dental...
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas,
troque de carro, compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabelereiros,
outros teatros, visite novos museus.
mude.
Lembre-se de que a vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um
Outro emprego, uma nova ocupação,
um trabalho mais light, mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e
coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento,
o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!
Repito por pura alegria de viver:
A salvação é pelo risco,
sem o qual a vida não vale a pena!!!
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Uma obra de arte
deve levar um homem a reagir,
sentir sua força,
começar a criar também,
mesmo que só na imaginação.
Ele tem de ser agarrado pelo pescoço e sacudido;
é preciso torná-lo consciente do mundo em que vive,
e, para isso,
primeiro ele precisa ser arrancado deste mundo.
Pablo Picasso
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Terça-feira, Setembro 20
Parla!:
TUDO ESCLARECIDO
(Itamar Assumpção e Alice Ruiz)
tudo esclarecido
entre as coisas
e os seus
sig
ni
ficados
o que se viveu
tá vivido
o assunto
virou passado
e o que passou
tá
esquecido
entre as coisas esquecidas
estão as melhores lembranças
entre as coisas perdidas
estão os grandes achados
Parla!:
"Não existe isso de homem escrever com vigor
e mulher escrever com fragilidade.
Puta que pariu, não é assim. Isso não existe.
É um erro pensar assim.
Eu sou uma mulher.
Faço tudo de mulher, como mulher.
Mas não sou uma mulher
que necessita de ajuda de um homem.
Não necessito de proteção de homem nenhum.
Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero,
querem mesmo é explorar seus maridos.
Isso entra também na questão literária.
Não existe isso de homens com escrita vigorosa,
enquanto as mulheres se perdem na doçura.
Eu fico puta da vida com isso.
Eu quero escrever com o vigor de uma mulher.
Não me interessa escrever como homem."
Lia Luft
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Terça-feira, Setembro 13
DANÇO NA LUA
QUANDO ENCONTRO COMIGO
SEM GRAVIDADE
SATÉLITE SOBERBO
ME SINTO QUEBRAR
OS RITOS DA RAZÃO
Claudia Garrocini
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DISCUTIR MUSICALIDADE
(Claudia Garrocini)
Ouvir o tempo
O pulsar do momento
Lento
Ter de novo a sensação
Ecoando nos ouvidos
Que o encantamento
Apenas começou
Ainda num toque
Suave e contínuo
Dos dedos ao violão
Do espaço e da emoção
Escutar de repente
Um som que te leva para casa
Um tom que não passa
Uma canção qualquer
Que toca de leve
A pele
O tímpano
O sentimento.
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Quarta-feira, Setembro 7
Mais uma imagem linda do Razzi...
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Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir o compasso,
projeto-me num abraço
e gero uma despedida.
Se volto sobre meu passo,
é já distância perdida.
Cecília Meireles
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CARTA
Carlos Drummond de Andrade
Há muito tempo, sim, não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci. Olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das carícias
( tão leves ) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu caminho, que ao sol-posto
perde a sabedoria das crianças.
A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias:
Deus te abençoe", e a noite abria em sonho.
É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho
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Sexta-feira, Setembro 2
Razzi... e la bella Roma...
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Quinta-feira, Setembro 1
O CONFORTO DOS TEUS BRAÇOS
João Linhares
Oito horas de vôo num concorde
Cinco dias num barco mar adentro
Sete noites dormindo ao relento
Sete ciganas lendo a minha sorte
Quatro dias, em pé, no trem
Da morte
Vinte léguas montado num jumento
Sete mil flores no meu pensamento
E eu trilhando os últimos espaços
Pra ficar no conforto dos teus braços
Qualquer coisa no mundo eu enfrento
Valentia de pai ou de irmão
Concorrência com o astro
Do momento
Temporal, tempestade, chuva
E vento
Holocausto, hecatombe e tufão
Desemprego, palestra e sermão
Tititi, coqueluche, casamento
Pé de ponte, mansão, apartamento
Paparazzi, sucessos e fracassos
Pra ficar no conforto dos teus braços
Qualquer coisa no mundo eu enfrento
Ladroíce, mutreta, malandragem
Álcool, droga, barato, passamento
Amnésia, larica, esquecimento
Roubalheira e má politicagem
Cabaré, palacete, sacanagem
Fome, greve, motim,
Acampamento
Confusão, batalhão, fuzilamento
Reclusão, solidão, sonho
Aos pedaços
Pra ficar no conforto dos teus braços
Qualquer coisa no mundo eu enfrento
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