Eclipsis Litteris
 

 
 
Poéticas 
e 
Visuais
 
 
   
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Quarta-feira, Novembro 30

 

Minha paixão...


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Ao mesmo tempo
em que despertamos
para a vida
para projetos audaciosos
em busca do aperfeiçoamento individual
Deixamos adormecer
tantos e tantos
desses raros sentimentos
que um dia ou outro desponta
e você nem pode
reconhecê-los
tantas teias, tanto pó....
vivemos enclausurados
na torturante rotina
E, bem verdade,
Que fazemos para alterar o rumo das coisas?

Claudia Garrocini

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Segunda-feira, Novembro 28

 
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O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e
pessoas incomparáveis".
Fernando Pessoa


Se você conta com alguém que tem menos qualidades que você, 
isso levará à sua degeneração. 
Se você conta com alguém com qualidades iguais às suas, 
você permanece onde está. 
Somente quando conta com alguém 
cujas qualidades são superiores às suas 
é que você atinge uma condição sublime." 
Dalai Lama


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ADIAMENTO
Fernando Pessoa

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado, 
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária 
para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de 
Domingo divertia-se toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de 
Domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, 
lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é o que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública 
que amanhã estudarei.
Depois de amanha serei finalmente o que 
hoje não posso nunca
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã..
O porvir...
Sim, o porvir..

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Sexta-feira, Novembro 25

 

Exposição Bichos do Brasil...no Museu da Casa Brasileira de São Paulo, 
traz 20 fotos ampliadas do livro "Amazônia", 
do fotógrafo e jornalista Araquém Alcântara. 



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DESTINO
(Claudia Garrocini)

Carro seria
Caminhão
Se caminhasse
Rente à linha tão comprida
Palma da tua mão

Renasceria
Madrugada
Orvalhada
Com sorriso bobo
Feito denso furacão

Eu não teria
Inocência, carestia
Se tomasse o rumo certo
Do seu coração

Queria mesmo
Retirar todo seu sangue
Te fazer me amar no mangue
Feito doce transfusão

Então o carro
Se transformaria
Orvalho secaria
Ao som dessa canção
O sol que nasce
Aurora desce agora
Meu destino segue
Ao toque dessa percussão.


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Ontem o tempo tinha tudo de suave 
para oferecer aos meus olhos. 
Era notório que sentiria aflorar 
todo o desejo que há tempo despertou.
Fico feliz por ter estado fora daqui. 
Longe o tempo corre mais leve, 
mais solto e posso pensar em mim 
mais do que em você. 
Para viver mais o presente do que 
fantasiar um futuro insólito. 
Ter definida a razão longe da 
influência do seu olhar que me confunde.

(Claudia Garrocini)

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NA ESTRADA
(Claudia Garrocini)

na estrada
laços se perdem
enquanto
polarizamos sonhos
busca ultrapassa formigas
passos largos
rodas negras
marcas no asfalto
pedaços da sua própria vida

na estrada
desejo ganha medo
menino ganha força
olhos vasculham a paisagem
sorriso se perde
em fotogramas
que ignoram
surpresa e encontro

mochilas uniformes
tênis dão força
e os olhos continuam 
a vasculhar na escuridão

é na estrada
abusamos do tato
da força do ato
do beijo blindado
dourado de sol

vamos
em busca de nós mesmos
a cada pequeno fragmento
de olhar
de sorriso
beijo
nessa dança concedida
fica aberta a ferida
parada na contramão

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Quarta-feira, Novembro 23

 

As flores da vovó...


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COMO SE FOSSE A PRIMAVERA
Pablo Milanés/Nicolas Guillén/Chico Buarque

De que calada maneira
Você chega assim sorrindo
Como se fosse a primavera
Eu morrendo
E de que modo sutil
Me derramou na camisa
Todas as flores de abril

Quem lhe disse que eu era
Riso sempre e nunca pranto
Como se fosse a primavera 
Não sou tanto
No entanto, que espiritual
Você me dar uma rosa
De seu rosal principal

De que calada maneira
Você chega assim sorrindo
Como se fosse a primavera
Eu morrendo
Eu morrendo

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Velho no Metrô
Karnak

Que será que o velho pensa no metrô
O que que será que o nenê pensa no berço

As rugas dos velhos determinam as idades
Assim como os gomos das árvores
Os olhos do nenê enxergam os anjos
Assim como os anjos protegem você

Que será que a menina tá pensando
No banco da praça
Olha só que engraçado aquele homem
Comendo uva passa
E passa tempo passa hora passa ano
E o cabelo branqueando
As rugas na minha cara aparecendo
Talvez esteja envelhecendo 

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Terça-feira, Novembro 22

 
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RETRATO EM BRANCO E PRETO
Tom Jobim


Já conheço os passos dessa estrada 
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho, 
E sei também que ali sozinho, 
Eu vou ficar tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto,
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto, E que no entanto,
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes, velhos fatos, 
Que num álbum de retratos,
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo, 
Procurar o desconsolo, 
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras, 
Versos, cartas, minha cara,
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado, 
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado, 
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto, 
Outro retrato em branco e preto, 
A maltratar meu coração 



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Outra do Razzi...


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AZEITE
Itamar Assumpção

Azeite
Se me quiser assim
Aceite

Tô torta
Mas vou abrir a porta
Pão leite mel pente
Escovas de dentes
Meu coração
Venha
Se alimente
Se oriente
Sente
Se ajeite
Se vire
Entre sem cerimônia
Sem vergonha
Entre e ouça o meu poema
Sabes que eu tenho a manha
Nunca nada te neguei
Não regularia agora
Mesmo sendo altas horas
Bateste na minha porta
Por saber que não
Te deixaria fora
A onda de angústia
Mais angústia
Já se foi
Foi para sempre
Naquela noite
Quando sem me beijar
Sem se voltar
Foste embora

Azeite
Se me quiser assim
Aceite

Pegue um cobertor
Se esquente
O arroz deve estar quente
Portanto não esquente
Tá tudo em cima
No fogão tem feijão
Sol a essa altura
Não tem não
Sol só lá no Japão
Sei que não é só
Não é sol o que você quer
Sei que não
Só o que faço é ser mulher

Azeite
Se me quiser assim
Aceite

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Quinta-feira, Novembro 17

 

Outra do Razzi...


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Duas folhas na sandália 
O outono 
Também quer andar


Hoje à noite  
Até as estrelas 
Cheiram a flor de laranjeira


Amar é um elo
Entre o azul
E o amarelo

eu te fiz
agora

sou teu deus
poema

ajoelha
e 
me
adora

Paulo Leminsky



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Quarta-feira, Novembro 16

 
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Terça-feira, Novembro 15

 

Ganhei uma agenda de poesia,
para que em 2006 
meus dias sejam felizes
sensíveis
cabíveis
em todos os meus sonhos...
Valeu Mã!!!
Retribuo com a flor que encontrei
no caminho...



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A VIDA
Mário Quintana

A vida são deveres que nós trouxemos pra fazer em casa.
Quando se vê já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!
Agora, é tarde demais
para ser reprovado...
Se me fosse dada, um dia,
outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente
e iria jogando, pelo caminho,
a casca dourada
inútil das horas...
 
Dessa forma eu digo, não deixe
de fazer algo que gosta devido
a falta de tempo, a única falta
que terá, será desse tempo que
infelizmente não voltará mais.

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Quinta-feira, Novembro 10

 

Alabarda... no canto da fachada... 
Minha visão em branco e preto.


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O pesquisador Denny Marquesani escreve 
sobre a relação entre o som e o sentido na poesia

Todo verso tem ritmo, porque é linguagem. 
Uma enunciação de linguagem possui ritmo, 
mesmo que esse ritmo não seja balizado 
por parâmetros definidos. A fala normal possui ritmo 
e melodia, mesmo que não entendamos as palavras, 
o ritmo e a melodia de uma frase contêm em si certos 
sentimentos e sentidos transmissíveis inerentes a ela.
A enunciação lingüística por si só já contém ritmo 
e melodia próprios que variam de língua para língua 
e de contexto lingüístico para contexto lingüístico. 
A fala de um paulistano é menos "cantada" 
que a de um alagoano ou de um cearense. 
Entretanto, eles falam a mesma língua. 
Os sotaques das diferentes regiões interferem 
nessa melodia própria da língua. 
Apesar dessas diferenças, compartilhando a mesma língua, 
sabemos qual é a melodia de uma pergunta, 
e qual é a melodia de uma resposta, ou de uma ordem, 
o que pode ser diferente em outra língua.
É importante observar que o ritmo e a melodia 
fazem parte da linguagem como um todo. 
Na poesia, esse ritmo e essa melodia, 
são estruturados de modo 
a produzir um sentido poético.
Ossip Brik analisa esse tema em "Ritmo e Sintaxe":
O movimento rítmico é anterior ao verso. 
Não podemos compreender o ritmo a partir 
da linha do verso; ao contrário, compreender-se-á 
o verso a partir do movimento rítmico.
Brik discute aqui uma questão fundamental: 
Existe uma distinção rítmica e melódica entre 
uma leitura sintática, ou seja, uma leitura que segue 
a sintaxe própria da frase, e uma leitura rítmica poética, 
que se atém ao ritmo desejado e imposto pela organização 
sonora do poema. Ele defende a tese de que em um poema 
esses dois momentos estabelecem uma relação 
de determinação recíproca. Não podem ser separados. 
Isso fica claro no procedimento literário conhecido 
com enjambement (encadeamento ou cavalgamento), 
no qual a leitura sintática é afetada pela disposição 
rítmica do poema. A leitura rítmica e poética cristaliza 
uma cesura, a sintática, não. 
É na articulação desses dois campos de validade 
que se constitui o poema.

 confira na íntegra!
http://www.odialetico.hpg.ig.com.br/literatura/critica/ritmopoesia.htm

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Terça-feira, Novembro 8

 

Túnel de acesso à av. Dr. Arnaldo...
Uma homenagem aos modernistas.


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SONHEI QUE VIAJAVA COM VOCÊ
Itamar Assumpção

Sonhei que viajava com você num galeão
Que navegava pelo mar sem medo de tubarão
Para o oriente sempre em frente íamos então
Longe da nossa casa longe do nosso sertão
A sós a bordo pelos mares destino japão
Um baú com samba caipirinha com quentão

Pra trocarmos com kung fu karatê meditação
Pra trocarmos com ninja tatame com precisão

Sonhei que viajava com você em um balão
Que flutuava muito acima de um vulcão em erupção
Para o oriente vento quente pés longe do chão
Voava sem ter asas como a imaginação
Nós dois bem alto sãos e salvos rumo ao japão
Numa sacola mel laranja manjericão

Pra trocarmos com saquê com shoio dedicação
Pra trocarmos com judô ofurô com decisão

Sonhei que viajava com você num avião
Que deslocava-se quebrando a barreira do som
Para o oriente velozmente ia o avião
Batia suas asas a nave total perfeição
Pra ser exatos voávamos indo para o japão
Na mala cuia carne seca farinha e feijão

Pra trocarmos com sushi com banchá com devoção
Pra trocarmos com hai-kai samurai com vídeo som 

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Sábado, Novembro 5

 

Capela do Hospital Santa Catarina...


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Mais um texto delicioso do André Batera!
ÁGUA!

Ontem, com aquele gole d´água que eu pedi para você colocar na boca, 
ontem, com aquele seu jeito de menina passeando seus dentes 
pelos meus sonhos, ontem, com aquele sorriso que me arranca do ócio, 
que me tira dos eixos,  fez com que eu entendesse as parábolas 
tão mal escritas que defino na vida,
com esse se enxarcar por águas turvas desnecessariamente, 
com esse se banhar por águas que significam tanto pra mim...

Significam a linda pureza que tanto admiro nos outros e que tão dificilmente
acaricio em mim, significam a batalha que tento me esquivar mas que me pega
sempre de frente, sempre não contendo a força de suas ondas, 
sempre uma imagem tão clara e tão difícil de ser captada.

E me sinto tão fantoche, que sente um sufoco imenso dentro do peito amargo,
que sente um mundo inteiro de sonhos coloridos, casas com tetos imbatíveis,
entradas triunfais, jardins imensos como o que desesperadamente 
construo dentro de mim, mas minha realidade me mostra uma outra dureza, 
sempre com chances desperdiçadas, sempre com sintomas 
errôneos de um sentir correto.

E vou correndo, pulando, soltando todas as agarras 
que tentam refrear o menino que todos chamam de tresloucado, 
vou saltando por todas as correntes e torrentes que se enervam 
pela minha tentativa, penso que estou vencendo, chego a uma vibração
coerente, e me deparo comigo mesmo, sentindo assim, 
como um furacão sem dono, 

como uma linha de pipas com cortante, 
como uma navalha enferrujada destrinchando
o único sonho que me resta, o único sentido que me mantém feliz...

Mas não me deixo vencer pelo enferrujar que todos 
os meus portões e porões demonstram, vivencio tudo, escrevo em poesia, 
lacrimejo e me mantenho, plácido e em paz,
vislumbrando as rosas de aço que habitam meu tão idealizado jardim interior...


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Quinta-feira, Novembro 3

 
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Quarta-feira, Novembro 2

 

 O MASP de novo, na minha paixão...


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A cereja te deseja.
Você sabia?
Com sua volúpia vermelha
seu brilho indiscreto
embriagada de marasquino
ela já não mede conseqüências.
Hoje ela se sente perigosa
e na fogueira da sua alma
abusa dos sentimentos mais doces.
E até ela se escandaliza
descobrindo que é capaz de tudo
até vestir veludo
salto alto e trilha sonora
para ter você
agora.

Greta Benitez

 

 
   
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