Eclipsis Litteris
 

 
 
Poéticas 
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  Parla!:

Terça-feira, Fevereiro 28

 

Da janela lateral....
Razzi.



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CONSTRUÇÃO/DEUS LHE PAGUE
Chico Buarque

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir, Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair, Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir, Deus lhe pague

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Sexta-feira, Fevereiro 24

 


Razzi

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A Minha Alma
O Rappa


A minha alma tá armada e apontada para cara do sossego, 
pois paz sem voz, paz sem voz nao e paz é medo
Às vezes eu falo com a vida, às vezes é ela quem diz 
qual a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz
Às vezes eu falo com a vida, às vezes é ela quem diz 
qual a paz que eu nao quero conservar pra tentar ser feliz

A minha alma tá armada e apontada para cara do sossego, 
pois paz sem voz, paz sem voz não é paz, é medo
Às vezes eu falo com a vida, às vezes é ela quem diz 
qual a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz. 
Às vezes eu falo com a vida, às vezes é ela quem diz 
qual a paz que eu nao quero conservar pra tentar ser feliz

As grades do condominio são pra trazer proteção, 
mas também trazem a dúvida se não é você que ta nessa prisão. 
Me abrace, e me de um beijo, faça um filho comigo, 
mas não me deixe sentar na poltrona num dia de domingo. 
Procurando novas drogas de aluguel neste video coagido, 
é pela paz que eu não quero seguir admitindo


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Quinta-feira, Fevereiro 23

 

Ao escolher um quadro representativo,
o que se está procurando é uma imagem
que sintetizea essência 
dos milhares de outros quadros
que formam a tomada em questão.
É o que Cartier Bresson - referindo-se a fotografia -
chamou de "momento decisivo".
Ismail Xavier

Razzi

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Eu não sei como é a realidade. 
A realidade foge, mente continuamente. 
Quando acreditamos tê-la apreendido, ela já é uma outra. 
Eu desconfio sempre daquilo que vejo, 
daquilo que uma imagem mostra, 
porque imagino o que está para além dela; 
e o que há por tras de uma imagem não sabemos. 
Michelangelo Antonioni



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Terça-feira, Fevereiro 21

 

O Razzi traduz meu pensamento em imagem.



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Te vejo
enigma e tranparência
seu jeito acre 
me abre um sorriso...
Num delicioso ciclo semanal
que faz ebulir meu desejo,
depois sossego.

Um dia 
perco a cabeça 
te arranco um beijo
e passo o resto da semana sorrindo...

Claudia Garrocini

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Sexta-feira, Fevereiro 17

 

Mai uma vez o reflexo....
a maternidade...
dois mundos que se encontram em silêncio
no muro do hospital


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Tenho escrito bastante
sentada ao computador
sem camisa...
Sinto vez ou outra
um fio de cabelo
caindo 
deslizando pelas costas
num toque sutil
quase cócega...

Penso no sonho da noite passada.
No toque de posse
na rede...
em frente ao rio.

Seu rosto desconhecido
fica como esse fio caindo,
deixando a sutileza desse momento 
pairar sobre todos os pensamentos
como se fosse um sinal...

E eu rio sozinha,
deste devaneio intenso
que pede por uma fagulha de realidade.

Claudia Garrocini

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Sexta-feira, Fevereiro 10

 

Outro trabalho sobre a maternidade,
na fachada do mesmo hospital,
se confunde com o reflexo da paisagem da Paulista.



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Toda beleza explode confusa
crepúsculo em cores
um olhar
um desejo
o desenho de um sonho...

Algo toca fundo
feito bomba atômica
interna
dissoluta...

tempo se perde
e minutos dispersam
ao som dessa euforia

É um hipertexto
de janelas ainda fechadas
e que se abrem
sem a gente esperar.

Claudia Garrocini

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Quarta-feira, Fevereiro 8

 

Um dos trabalhos selecionados para o tema maternidade...
No Hospital Santa Catarina


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A FELECIDADE
Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes

A felicidade é como a gota 
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Prá que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

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Domingo, Fevereiro 5

 

Caribé no Túnel...


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E DEPOIS
Seu Jorge


É dia de te ver, que sorte grande, sim senhor...
É mamão no mel, algodão doce azul
E é bom, acende uma alegria tipo curumim
Por causa do que vibra dentro de você
Você não tem idéia como sou feliz
Às cinco eu passo aí para um sorvete
Levo o disco do Bob que você me pediu
E aí... a gente vai passear
E aí... a gente vai namorar
E depois... e depois... e depois... 

 

 
   
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