Eclipsis Litteris
 

 
 
Poéticas 
e 
Visuais
 
 
   
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Sábado, Julho 22

 

Da janela da minha casa... o crepúsculo.


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Quando a gente sonha
tudo é possível
cascatas, flores, gramados enormes
e a pessoa que você deseja
tudo é poesia...

Quando a gente sonha
tudo é lindo
pássaros, árvores, joaninhas
e a pessoa que você quer
tudo é poesia...

Quando a gente acorda
tudo é lembrança
aquilo que não aconteceu de verdade
como cena de filme
fica marcado no nosso pensamento.

O coração quer que aconteça de novo
a razão, que aconteça de verdade.


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Segunda-feira, Julho 10

 
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num dia mudo
as idéias se soltam no ar
se eu estudo
ouço a palavra soar

meu tempo é desafio
as horas passam rápido demais
fico sozinha tempo demais

quero ouvir o que tem para falar
quero ver um sorriso
quero voar.

Claudia Garrocini

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Sexta-feira, Julho 7

 
kcau
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ANÁLISE 

Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo. 
              Fernando Pessoa, 12-1911 

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Domingo, Julho 2

 
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DEDICATÓRIA
Mário Quintana

Quem foi que disse que eu escrevo para as elites?
Quem foi que disse que eu escrevo para o bas-fond?
Eu escrevo para a Maria de Todo o dia.
Eu escrevo para o João Cara de Pão.
Pra você, que está com este jornal na mão...
E de súbito descobre que a única novidade é a poesia,
O resto não passa de crônica policial - social - política.
E os jornais sempre proclamam que " situação é crítica " !
Mas eu escrevo é para o João e a Maria,
Que quase sempre estão em situação crítica!
E por isso as minhas palavras são quotidianas 
como o pão nosso de cada dia
E a minha poesia é natural e simples 
como a água bebida na concha da mão.

Ah Luís Henrique... mais natural e mais simples!!!!

 

 
   
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